A quaresma da Misericórdia com Maria.

Nesta Quaresma do Ano da Misericórdia, somos chamados a considerar o abismo infinito da misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, a grandeza da nossa miséria, sob o olhar materno da Santíssima Virgem Maria. Pois, Deus manifestou o seu amor pelo homem, a sua misericórdia infinita para com a humanidade, enviando seu Filho unigênito ao mundo através de Nossa Senhora. A este respeito, a própria bem-aventurada Virgem Maria disse a Santa Brígida: "Eu sou chamada Mãe de misericórdia e, na verdade, o sou, porque assim o quis a bondade de Deus"1. No entanto, a Mãe de Deus não se limita em ser a Porta da Misericórdia, através da qual a misericórdia de Deus entrou no mundo. Mas, ela foi constituída, pela Misericórdia de Deus, como advogada para a nossa defesa, por que o Senhor quer salvar todos

Em vista dessa sua missão no desígnio salvífico de Deus para a humanidade, "desgraçado [privado da graça], acrescentou a Virgem, e eternamente desgraçado, será aquele que, podendo recorrer a mim, que sou misericordiosa e benigna, não procura o meu auxílio e se condena! Tememos, acaso, diz São Boaventura, que Maria nos negue o socorro que lhe pedimos?... Não; Maria não sabe nem soube jamais olhar sem compaixão, nem deixar sem socorro aos desgraçados que recorrem a ela. Não sabe, nem pode, porque foi destinada por Deus para ser a Rainha e Mãe de misericórdia, e como tal incumbe-lhe velar pelos necessitados. Sois Rainha de misericórdia, disse São Bernardo, e quem são os súditos da misericórdia senão os miseráveis?"2. Dessa forma, se queremos alcançar a infalivelmente a misericórdia divina, digamos com São Bernardo: "Sois rainha de misericórdia, [...] e quem são os súditos da misericórdia senão os miseráveis? [...] Ó Mãe de Deus, já que sois a rainha da misericórdia, é de mim que deveis ter o maior cuidado, porque sou o mais miserável dos pecadores"3.

A Mãe de Misericórdia não recusa os pecadores que a invocam

Com maternal solicitude, sem dúvida, livrará da morte a nós, seus filhos enfermos, pois a bondade e clemência de Maria a convertem em Mãe de todos os que sofrem. "São Basílio a chama casa de saúde, porque, assim como nos hospitais de enfermos pobres os mais necessitados é que têm mais direito de ser recebidos, assim Maria, como disse aquele Santo, há de acolher e abrigar com piedade solícita e amorosa os maiores pecadores que a ela recorrerem"4. Por isso, não duvidemos da misericórdia de Maria Santíssima. Santa Brígida ouviu o divino Salvador dizer à Virgem Maria: "Até do próprio demônio terias compaixão se te pedisse com humildade. Nunca o soberbo Lúcifer se humilhará; mas, se esse desgraçado se humilhasse diante dessa soberana Senhora e lhe pedisse auxílio, a intercessão da Virgem o livraria do inferno"5. Com essas palavras, Nosso Senhor deu-nos a entender o mesmo que sua querida Mãe disse à Santa: "Por muito que o homem haja pecado, se recorre a mim verdadeiramente arrependido, apresso-me a recebê-lo, não considero o número de suas culpas, mas a intenção que o anima. Nem me desdenho de ungir e curar as suas feridas porque me chamam e realmente sou a Mãe de Misericórdia"6. Por isso, quando pecamos, por maiores que sejam as nossas culpas, se recorremos a Virgem Maria sinceramente, ela não olha para os pecados que nos perturbam, mas sim para a intenção que nos move. Se a ela vamos com a boa vontade de nos corrigir, esta Mãe de misericórdia nos acolhe prontamente e nos cura de todos os males que nos afligem.

São Boaventura nos estimula e recorrer com confiança a esta Mãe misericordiosa, dizendo: "Não desespereis, pobres e perdidos pecadores, levantai os olhos a Maria e respirai, confiados na piedade desta boa Mãe"7. Então, procuremos confiantemente a graça perdida e o façamos por intermédio de Maria. Esse grande graça que nós perdemos, a Virgem Maria encontra, ou seja, a ela devemos recorrer para a recuperar. "Quando o arcanjo São Gabriel anunciou à Virgem a divina maternidade, disse: 'Não temas, Maria, porque achaste graça'8. Se Maria, porém, sempre cheia de graça, jamais esteve privada dela, como diz o Anjo que a encontrou? A isto respondeu o Cardeal Hugo que a Virgem não achou a graça para si, pois que sempre a gozou, mas para nós que a tínhamos perdido"9. Daí deduzimos que devemos apresentar-nos a Maria Santíssima e dizer-lhe: "Augusta Senhora, o bem deve ser restituído a quem o perdeu. Essa graça que encontrastes não é vossa, porque sempre a possuístes; mas é nossa e por nossa culpa a perdemos. É, portanto, a nós que a deveis restituir"10. Por isso, recorramos apressadamente a Virgem Maria, todos nós pecadores que, por nossa culpa, perdemos a graça e lhe peçamos sem medo, mas humildemente: devolve a nós o nosso bem que achastes.

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